JOAÇABA, SAMBA. E FAZ ESCOLA. DESDE 1934.
“O caldeirão da cultura mística, preparado ainda no alvorecer do século vinte, por legítimos representantes afros-recôncavos, e cuja essência era o batuque ancestral africano, fez respingar sua poção mágica nestas terras, sobrepondo-se, magistralmente, às demais culturas, de forma a ganhar projeção impensada há poucos anos atrás, haja vista que hoje a tradição de desfile de escolas de samba está consolidada em Joaçaba" (João Paulo, jornalista)
O Carnaval de Desfile de Escolas de Samba de Joaçaba já é tradicional, e tem uma longa história, o que o credencia como uma referência dessa cultura no Estado de Santa Catarina, e como em outras cidades, aqui ele também mantém o seu rito anual, o que atrai pessoas de diferentes classes sociais, e, diferentemente, o conceito dessa cultura aqui ganhou uma nova concepção e se distanciou em muito dos desorganizados desfiles de blocos, que ainda são muito comuns em várias cidades brasileiras.
É difícil desvendar, mais a fundo, e com propriedade, as intrínsecas relações e as significações dessa cultura para uma população, majoritariamente, de descendentes de italianos e alemães, como é o caso, não só de Joaçaba, mas da região também. Aliás, em toda a região, como se sabe, predominam manifestações folclóricas dos paises de origem dos imigrantes que se instalaram no Meio Oeste Catarinense, com destaque para as festas típicas italianas e alemãs, que anualmente se repetem, diferentemente do carnaval que está constantemente se recriando, se renovando, mas mantendo a tradição da cultura.
Na região do Meio Oeste, os tênues traços de influências de origem negra nas escolas de samba, parcialmente recuperados, quase se perdem no tempo, e quem, de fato, conduz a história dessa cultura, na sua essência, é o branco, de classe média, e sem maiores vínculos com a cultura negra. As escolas de samba de Joaçaba e Herval D`oeste, inseridas nesse contexto, e diante das imensas e complexas possibilidades do carnaval, e aproveitando-se do universo de relações humanas que dá vida a essa cultura, tem desenvolvido um trabalho de projeção de identidade comunitária, de ampliação e criação cultural e de ações sócio-educativas das mais expressivas, procurando sempre envolver, o máximo possível, os jovens da região.
O surgimento do carnaval em Joaçaba, então, não difere muito da forma de como ele se criou em outras partes do país, e tem a ver, nos seus aspectos históricos-culturais com a evolução natural das aspirações do povo brasileiro que, a princípio, se espelhava nos modos e costumes europeus. A cultura carnavalesca do Vale do Contestado, portanto, tem lógica, trajetória e uma longa história, e já se vão mais de setenta anos do primeiro desfile de carnaval de Joaçaba, que aconteceu, em 1934, na Rua Getúlio Vargas, organizado pelos Irmãos Lins, que na época tinham uma orquestra, e animavam bailes. Faziam parte deste primeiro grupo, que contou, inclusive, com a participação do Consul Alemão Walter von Schuschnig, os foliões Oscar Matte, Getúlio Lima, Egídio Breda, Ernesto Carmeli, Ernesto Caliari, Vitorino Pitt e Irineu Petri. Muitos desses sobrenomes são de tradicionais famílias que ainda residem em Joaçaba, e algumas das quais com descendentes participando das atuais escolas de samba. Quatro outros blocos, três mais antigos, (Alô, Alô; Anjos da Cara Suja e Bando da Lua; anos 30/40) e outro mai recente, (Que Murmurem; anos 50/60) foram os grandes responsáveis pelo início, manutenção e propagação da cultura carnavalesca no Vale do Rio do Peixe.
Os primeiros registros sobre a união de Joaçaba e Herval D`Oeste para “saírem às ruas no carnaval” é de 1934, quando o Jornal Cruzeiro do Sul, em uma de suas edições daquele ano destacava: “Cruzeiro (nome antigo de Joaçaba) e Herval, irmanados na cordialidade existente entre ambos, darão início hoje aos festejos carnavalescos. Para esse fim organizaram vários blocos, com as mais originais fantasias, que sairão às ruas...”
Diferente de outros centros, onde a cultura negra, mesmo antes da projeção dela através do carnaval, disputava de certa forma com as demais manifestações, de origem dos colonizadores, em Joaçaba, o desenvolvimento das escolas de samba se deu justamente, entre as comunidades que são formadas por descendentes de europeus, detentores, por conseqüência, da hegemonia das atratividades culturais. Aumentar o prestígio ou o reconhecimento das escolas de samba, conquistando mais espaços sociais, é sempre um dos objetivos dos dirigentes, já que essa moeda pode representar mais poder de persuasão na defesa de seus interesses nas complexas e invisíveis redes de disputas de bastidores, inimagináveis para as pessoas que apenas assistem aos espetáculos. A disputa, inicial, pela conquista da simpatia social, portanto, já passou para a fase da disputa pela supremacia financeira, pois com ela, principalmente no mundo da fantasia, é possível se conquistar “apoios” tão ou quase tão importantes quanto àqueles advindos dos esforços sociais, junto a segmentos considerados potenciais pelos outrora recrutadores de simpatias, e que hoje foram transformados em exímios captadores de garantias financeiras. Mas, apesar de toda essa transfiguração, que gera apoio ou discordância, há que se ressaltar que o mundo do carnaval mantém, à duras penas, uma base que não pode ser desprezada, em hipótese alguma, e que dá uma sustentação para a sua defesa intransigente: a manutenção simbólica de uma brasilidade, que traz consigo um conjunto de signos representativos da trajetória de uma raça, que é um dos pilares de sustentação da nossa identidade, portanto, algo inerente à cultura nacional. Por outro lado, como um dos aspectos mais concretos desse imaginário místico, está a fecundação de uma semente comunitária, de grande valia cultural e educacional, cujos resultados positivos, mesmo que mal absorvidos, ainda são responsáveis por boa parte da diminuição dos processos degenerativos, comuns nas áreas mais carentes das periferias.
O percurso histórico das escolas de Joaçaba e Herval D`Oeste, apesar de alguns percalços, na condução de suas trajetórias, já deixa legados fundamentais para a construção de uma compreensão maior da cultura carnavalesca no Vale do Rio do Peixe; e uma das vertentes que poderá ser bem aproveitada desse processo, até mesmo melhor do que em qualquer outra região, caso haja razoável pequeno esforço nesse sentido, será a área pedagógica-cultural, onde repousam extraordinários saberes que podem ser de grande utilidade para a formação de boa parcela da população, já que as ações de cultura e arte, hoje produzidas e promovidas, atingem diferentes aspectos, o que as tornam, de fato, em exímias construtoras de ensinamentos.
Fonte: (Livro Joaçaba, Samba. E Faz Escola. Desde 1934 - Autores: João Paulo Dantas e Jorge Zamoner)
VOZ DO PASSADO: PRESENTE PARA FUTURO
“A história oral de vida é uma história pública para os ouvidos, espécie de carnavalização onde desaparece a diferença entre atores e espectadores,ou seja, entre sujeito e objeto”.
(Mikchail Bakhtin)
Uma das vozes do passado que ecoa pelos barracões, e que não deve jamais deixar de ser ouvida, pela raridade e riqueza histórica, e que contextualiza a evolução das escolas de samba de Joaçaba e Herval d´Oeste é a da Porta-Bandeira Maria dos Prazeres Oliveira. Negra e Mãe-de-Santo, Dona Maria dos Prazeres foi Rainha de Bateria, Porta-Bandeira e Baiana da Escola de Samba Unidos do Herval, e o seu legado para o carnaval de desfile de escolas de samba é precioso. O pai de Dona Maria dos Prazeres, Manoel de Oliveira Nunes, originário da Bahia, foi um dos precursores da cultura negra e carnavalesca na região do Vale do Rio do Peixe. O pai da Porta-Bandeira trabalhou alguns anos no Rio de Janeiro com um dos mais importantes personagens do carnaval carioca: o Pai-de-Santo Mano Elói. Mano Eloi, que era compositor, músico e intérprete, fundou três escolas de samba no Rio de Janeiro: Prazer da Serrinha, Deixa Malhar e Vai Como Pode, as quais deram origem, posteriormente, a Portela e ao Império Serrano. Quando deixou o Rio de Janeiro, Manoel de Oliveira Nunes, passou por Lages, mas fixou residência em Herval d`Oeste, onde montou, ainda na década de trinta, o primeiro Terreiro de Candomblé do Oeste Catarinesne, chamado Casa Nova Era, que mais tarde deu origem ao Clube dos Negros. Eis um pequeno trecho do logo depoimento de Dona Maria dos Prazeres, gravado em áudio, e que está documentado no livro Joaçaba, Samba. E Faz Escola. Desde 1934, de autoria do jornalista João Paulo Dantas e do carnavalesco Jorge Zamoner.
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=p1q47rzrba8
“Olha, de quando eu era menina, e das lembranças do que meu pai falava, dos tempos da casa Nova Era, que era lá pros lados da Coxilha, subindo por uma trilha que saia da rua São Paulo, eu lembro de alguns personagens que ajudaram a construir uma história interessante. Entre eles eu posso citar o Saulo Sapateiro; um sapateiro, boêmio, e que gostava de samba. E ele até fazia uns versinhos. Um deles, que eu me lembro bem, dizia: "Eu nunca sonhei, sempre trabalhei, e foi assim que eu quis. Eu sou sapateiro, não tenho dinheiro, mas eu sou feliz". (cantando).
Tinha também o Lazinho, que gostava muito de cantoria, e estava sempre com o inseparável amigo Altemar. O Altemar, que gostava de tocar tambor, era um negro muito místico e festeiro, e falava sempre num tal de “sincopado de aquarela” e “civilização do legado”, que eu sei lá o que era. Mas, era muito engraçado. (rindo) Outro que eu me lembro era o Seu Mazurek. Era um polaco, que trabalhava de mascate. Ele tava sempre com o pessoal da batucada, e era muito sorridente. Todo mundo gostava dele. Ele, que naquela época já tinha talão de cheque, pra se exibir, pra qualquer coisa ele dizia: Mazukek assina cheque....! (rindo)
O meu pai falava também do seu Dendê, que era Pai-de-Santo, mas eu tenho pouca lembrança dele. E do seu Javé, que era um “preto velho”, abugrado; meio negro,meio índio. Os dois também gostavam muito de batucada e de samba. E outros tantos, de outros tempos, como o coronel Chiruca, o Lilico Galvão, e o Jacaré de Bronze. O coronel Chiruca, que andava sempre por aí, e tinha amizade com o pessoal da polícia, às vezes avisava o Seu Javé quando ia ter uma batida policial lá pros lados do terreiro. Então, essas pessoas, mesmo em épocas diferentes, tiveram muitas ligações com a Vila Operária, com a Estação Ferroviária, com os Terreiros e com o Carnaval”.
Esse trecho de um longo depoimento dado por Dona Maria dos Prazeres, ainda nos anos oitenta, serviram de base para o jornalista e compositor João Paulo Dantas criar o Samba de Enredo Herval de Outra Era: Civilização do Legado em Sincopado de Aquarela, de uma fictícia escola de samba chamada Unidos do Campo do Baréa. (Baréa é o nome de um famoso campinho de futebol que existia em Herval d´Oeste, onde se reunia, no passado, a mais fina maladragem hervalense.
Letra do Samba:
HERVAL DE OUTRA ERA: UMA CIVILIZAÇÃO DO
LEGADO EM SINCOPADO DE AQUARELA
Autor: João Paulo Dantas
{(Entre a rua...!) Entre a Rua São Paulo e a Coxilha há uma trilha de um legado do passado, que tem o seu próprio enredo, sem ser segredo, mas muito reservado. Ali a “Nova Era”, era um local de encantaria, onde a batucada rompia a madrugada no ofício da magia. (da magia...!) No louvor estava Lazinho, e com ele Altemar a cantar, batendo com fé o tambor, fazendo o terreiro dançar. Rito antigo, templo novo, povo de outra religião, “seu” Torquato Mazurek, sorridente assina o cheque, depois da celebração. Recordei, pensei, o que eu sempre quis, Paulo Homem, sapateiro, sem dinheiro, foi feliz! (mas foi..) Foi no terreiro de Maria dos Prazeres, que os afazeres foram traçados, viram o desfilar da imponente “Civilização do Legado”. E a Estação do Trem agora era um imaginário transformado, o Bairro Operário prospera; impera um mundo novo encantado: Um “sincopado de aquarela”, mostra o futuro revelando o seu passado. Eu fui ver de perto a história bem vivida, e vi aberta a trajetória de uma vida.}
Áudio/Samba: http://www.liesjho.com.br/site/home.php
Até então pensar que Joaçaba, avizinhada de festas típicas alemãs e italianas, tinha carnaval de desfile de escola de samba era, até certo ponto, desconcertante. Mas, como o presente só tem lógica se houver um olhar para o passado, nesse caso ele também é imprescindível, pois fica evidente que a semente que fecundou o fruto das escolas de samba de Joaçaba foi plantada no distante passado dos tempos Contestados, já que foram pelos trilhos do trem de ferro que chegaram os primeiros iniciados no batuque, cooptados pelos primórdios e tímidos terreiros de candomblé. Muitos dos integrantes dos blocos carnavalescos mais recentes, dos anos cinqüenta e sessenta, que se intitulam precursores das escolas de samba, não têm noção de que eles próprios já eram frutos de um embrião carnavalesco bem mais antigo, transplantado para a região do Vale do Rio do Peixe por uma corrente que tinha fortes elos com a essência dos ingredientes básicos do carnaval: batuque e candomblé. Esta linha histórica, mesmo que tênue, que faz o elo entre o berço das escolas de samba, o Rio de Janeiro, e o Vale do Rio do Peixe, tem uma expressiva contribuição cultural para Joaçaba, da mesma forma como foi a comprovada ligação cultural das escolas de samba cariocas com as raízes afro-religiosas do recôncavo baiano, através dos descendentes de escravos que migraram para a cidade maravilhosa. O carnaval de desfile de escolas de samba de Joaçaba, portanto, é fruto de um embrião antigo, transplantado para essas terras ainda nos anos trinta por descendentes afros, originários dos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Bahia, e que vieram trabalhar na Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul, e as sementes plantadas por esses batuqueiros ancestrais vingaram e as escolas de hoje são frutos que já ostentam fortes raízes.
NASCEM, DE FATO, AS ESCOLAS DE SAMBA
Um grupo de jovens dos anos setenta tem grande responsabilidade pelo surgimento, de fato, das escolas de samba de Joaçaba e Herval D`oeste. Era um pequeno grupo, mas composto por rapazes que representavam importantes famílias, e tinham boas referências em todos os segmentos da sociedade. E o apoio do Prefeito da época, Evandro Magalhães de Freitas, foi decisivo para a consolidação das futuras escolas de samba, entre elas a Vale Samba, já que ele, desde o início da criação dos blocos, demonstrou interesse e procurou incentivá-los, patrocinando os troféus para os vencedores.
Evandro de Freitas foi um dos mais atuantes prefeitos da história de Joaçaba, apesar de ter enfrentado muitas críticas durante a sua administração, principalmente porque, há época, existia na Câmara de Vereadores, uma representação legislativa formada por conceituados Vereadores, e todos com um altíssimo nível de conhecimento e de conceituação político-ideológica. O prefeito era personalista, e apesar de ter a fama de ser teimoso, era muito popular e amigo de muita gente, inclusive dos funcionários da prefeitura, já que todos exaltavam as suas qualidades de lealdade e de cumprir o que prometia. E ele gostava de festa, e era muito astuto com as coisas com as quais ele poderia promover a sua administração, e assim que tomou conhecimento da formatação do carnaval de blocos, idéia que estava surgindo através do grupo de jovens, entre os quais o seu então secretário predileto, o hoje carnavalesco Jorge Zamoner, ele, de imediato, prometeu apoiar e cumpriu com a promessa, e a partir de então estava criada as condições para o surgimento de um carnaval mais organizado.
Depois de muitas “reuniões” no “bar do Lélio”, na XV de Novembro, que na época era o “point” da rapraziada, os carnavalescos Nildo Ouriques, Ricardo Freitas, João Silva, Ducho Mendonça, Tonho Batista, Leandro Dallanora, Renê de Oliveira, Márcio Fuga e Ike Batista iniciaram o movimento dos blocos, e a partir dali uma comissão foi até o gabinete do Prefeito pedir apoio, que veio mais tarde, após uma roda de samba em sua casa, e do envolvimento da Rádio Líder, à época sob a Direção do jornalista João Paulo Dantas.
Após assegurarem os troféus para os vencedores, e a promessa do Prefeito de que qualquer outro apoio necessário que estivesse ao alcance da Prefeitura estaria à disposição do evento, a carnaval decolou, como relembra João Silva Filho, um dos precursores e ex- presidente da Escola de Samba Vale Samba.
“Ai falamos com os irmãos Silveira; com o Marquinhos, e com o Carneiro, e também o Treze, e eles fundaram o Eskinão; e nós, criamos Os Reis do Petróleo; e o Jorge criou o Fino Tato. E o sucesso do desfile no sábado foi tão grande que na segunda-feira, como o Prefeito Evandro era muito dinâmico, já tinha até palanque oficial para as autoridades, e ai estava como nós queríamos e, não demorou muito para que nós pudéssemos convencer o Jorge Zamoner a montar uma escola de samba de verdade, já que, àquela altura, ele era o mais qualificado, pois dirigia teatro, e ai nasceu a Vale Samba, que hoje é uma das grandes do nosso Estado”.
A mobilização desse grupo envolveu, na seqüência, outras dezenas de pessoas, e enquanto se desenrolavam os preparativos para os primeiros desfiles em Joaçaba, Herval d`Oeste, que já tinha uma boa experiência de blocos, principalmente através do Que Murmurem, também fez o mesmo, e foliões como Carlos Tratsk, o Carlão; Chico Volpato, Tenente Sebastião e Coringa mobilizaram os ex-companheiros e também criaram o bloco hervalense. Nasciam assim, Unidos do Herval, Vale Samba e Esquinão. E mais tarde, na década de noventa nasceu a Escola de Samba a Aliança, formada por diversos blocos de bairros. Recentemente, em Herval d´Oeste surgiu a segunda escola do município: a Escola de Samba Dragões do Grande Vale, que já fez um desfile como convidada especial da Liga Independente das Escolas de Samba. A escola, porém, ainda não está oficializada como integrante da Liga, já que ela terá que cumprir, preliminarmente, alguns requisitos para se tornar membro efetiva da entidade e participar, oficialmente, dos desfiles carnavalescos.